Mochileira de Jesus

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Relato: Malawi, Africa


Faz um tempo já que fiz essa viagem e eu publiquei aqui no blog alguns pensamentos que tive lá. Mas nunca quis fazer um relato muito detalhado, até porque quando cheguei estava meio estranha fisicamente, com algumas feridas no rosto e 7 kgs a mais.


Mas esses dias postei uma foto no grupo "Mochileiros" no Facebook e alguns me motivaram a escrever esse relato mais detalhado.

É muita informação e vou tentar organizar para colocar aqui, outra coisa é que eu perdi meu HD com todas as fotos, então tenho as fotos que estão no Facebook e as dos meus amigos companheiros de viagem.

Primeiro de Tudo: Por que Malawi?

Eu morava no Chile e trabalhava meio período como missionária para a igreja, o outro meio-período eu trabalhava como arquiteta para minha própria empresa lá em Santiago.

O meu chefe, pr. José Soto morou em Malawi por muitos anos, trabalhando na região de Monkey Bay a TV aberta do Chile fez um documentário muito legal sobre ele no programa "Chilenos por el mundo", você pode acessar o vídeo aqui (obviamente está em espanhol).

Caso você assistiu o vídeo, deu para ver um pouco do tipo de trabalho que ele já estava fazendo por lá e de como ele era querido e respeitado por todos.

Então um dia o José me falou:

"Day, tem um lugar lá em Malawi que fica isolado e só dá para chegar de barco, lá não tem nenhuma escola e como eles não tem acesso a outros lugares, as crianças não são alfabetizadas. Eu construí uma igreja lá que eles usam como escola, mas é muito pequena e só tem espaço para os grandes, quero construir algo para as crianças pequenas. Você pode fazer um projeto e viajar comigo para acompanhar a obra?"

Você já sabe qual foi minha resposta... SIM, era tudo que eu queria: usar minha profissão para ajudar a outros, viajar e conhecer outra cultura.

Eu teria que arrumar o dinheiro da passagem, e o resto era por conta da missão, esse foi um perrengue, pois eu era praticamente voluntária em tudo e o dinheiro que eu ganhava era para pagar as despesas básicas em Santiago.

Mas se Ele quer acontece, então um monte de gente me ajudou e consegui o dinheiro da passagem (1486 dólares) e acho que levei mais 200 dólares para comprar coisas por lá e ainda voltei com 100 dólares e cheia de presentes.

Equipe de Voluntários


A equipe era formada por pessoas da nossa igreja de diferentes profissões.

- José, sua esposa Naarita, e a filha Maria Gracia (de 1 ano e meio) chilenos
Conheciam todo o país, moraram lá por muitos anos e tinham muitos contatos.

- Mamá Rose
Ela já foi candidata a miss do Chile, a mochileira mais experiente de 60 anos, era a segunda vez que viajava para lá (ano passado foi de novo). Ela era a voz da experiencia e reconciliação, foi a principal responsável por deixar o grupo unido até o fim.

- Ceci (enfermeira)
Chilena, ela cuidou das crianças doentes e ensinou os pais sobre cuidados básicos de higiene.

- Zeni e Karlita
Chilenas, as duas são professoras de jardim infantil, elas além de dar algumas aulas para as crianças fizeram um curso de capacitação para os professores.

- Fernando
Costarriquense, é executivo em uma empresa internacional no Chile. Ele foi o responsável pelas as finanças antes, durante e a prestação de contas depois da viagem. Ajudou na obra de construção.

- Capi (capitão)
General do exercito chileno, muita experiencia em acampamento e situações extremas. Ajudou na obra de construção.

- Andrea e Noel
Casal colombiano, ela diretora de TV e ele engenheiro de computação, foram os que fizeram registros fotográficos e videos. E ajudaram em tudo em geral.

- Maniano
Peruano, executivo de uma empresa aérea, o filha da mãe pagou 70 dólares na passagem! kkk  Ele ajudou na obra de construção.

- Eu (Dayi) - colocaram um i a mais no meu apelido para não parecer "morte" em inglês. rs
Brasileira, arquiteta, que morava no Chile a 3 anos. Fui a responsável por fazer o projeto e tocar a obra da escola.

Visto

O visto tem que ser pedido em Brasilia, e demora um pouco. Eu enviei por correio meu passaporte (sim não tinha outro jeito) e depois de uns 20 dias chegou em casa com o carimbo do visto. E paguei a taxa de 100 dólares.


Trajeto

O aéreo foi Santiago - São Paulo - Joannesburgo - Lilongwe.

Como minha família mora em Sampa eu fui antes para passar um tempo com minha família e encontrei depois com o pessoal no aeroporto (a doida da foto sou eu).

Quando chegamos na Africa do Sul, alguns amigos do José nos foram buscar. Eles tem um tipo de hotel para missionários (quase todos chegam ai) e para nós não era nada parecido com a Africa que imaginávamos, mas a vida boa foi só por 1 dia, porque no dia seguinte embarcamos para Malawi.

O voo foi de 2:30 horas, e bem tranquilo. Mas o aeroporto.. era uma bagunça, um calor tão intenso e demora um tempo até você acostumar com o cheiro que as pessoas exalam. Estivemos cerca de meia hora na fila de imigração e qualquer terminal rodoviário no Brasil é maior e melhor organizado que lá. Depois de mostrar 3 vezes meu certificado de vacina da febre amarela e responder um questionário pude sair do aeroporto.

Os pastores da igreja Vineyard de Malawi nos estavam esperando com uma Kombi antiga por volta das 15:00, o sol estava de rachar e como já mencionei, demora um tempo para acostumar com o cheiro diferente. Viajamos por 8 horas nessa kombi caindo aos pedaços até chegar em Monkey Bay.
Quando entramos na última estrada apareceram no nada cerca de umas 20 mulheres gritando e dançando e mais umas 100 crianças gritando atrás da kombi, essa foi sem dúvida a parte mais emocionante da viagem, era mais de meia noite e centenas de pessoas começaram a gritar, dançar e cantar: "José voltou, José voltou, Naarita também".

Até agora eu me emociono de escrever, porque sou evangélica a muito tempo, me decepcionei tanto com pastores e me sinto muito honrada por ser pastoreada por um cara tão simples e louco como José. Ele não viajava para África para tirar fotos de crianças e pedir dinheiro para a igreja no Brasil, Chile.. ele realmente amava e era amado por todos naquele lugar. Ele conversava com eles em Chicheua que é o idioma tribal de Malawi, ele não era um Azulu (assim chamam os homens brancos desconhecidos lá), ele era um deles. Me senti muito orgulhosa de ter um pastor que ao contrário de muitos, não estava nem ai com o dinheiro e nem de se colocar em posição superior por ser branco, sacerdote ou qualquer outra coisa.

Bom... depois de toda a emoção, e de estar exaustos... ainda tínhamos que montar as barracas. Eu só queria dormir mínimo 12 horas, e o José dá a notícia: "Então gente, agora que terminamos de armar a barraca (era 1:30 da manhã) descansem, porque as 4:30 vamos pegar o barco, então precisamos acordar as 4:00 para desmontar as barracas e chegar na ilha" (chamam de ilha, mas é ilhado por não ter acesso terrestre por causa de uma montanha, não por ser separado do continente).

Eu pensei que nunca acordaria as 4 da manhã, mas para minha surpresa o sol já estava brilhando nessa hora, era impossível ficar dentro da barraca com tanto calor e ainda mais eu que tenho claustrofobia e estava na barraca com mais 4 mulheres.

Então depois de 50 minutos de barco enfim chegamos ao destino final: Mvunguti!!!


Cultura: Lado bom, lado ruim

Acordar ao som de africanas cantando felizes enquanto lavavam roupa no lago, afinação que nem em concertos caros no Brasil eu tinha ouvido, os homens que faziam o tenor enquanto tiravam o peixe do barco, pessoas tão lindas e sorridentes que não tem nada, mas ao mesmo tempo tem tudo.
Crianças tão respeitosas e felizes, que fazem com muita criatividade o próprio brinquedo. Que dão risada e brincam o tempo todo, mudou a minha vida olhar nos olhos de esperança e felicidade, que ofuscavam as dificuldades que tinham. Esse dia eu decidi que seria mãe de um africano, e hoje esse não é um sonho só meu, mas também do meu marido de ser pais adotivos.

A outra coisa é que estávamos cheios de equipamentos, Macbook, Iphone, Câmeras... tudo que valia mais de 10 anos de trabalho deles, deixávamos tudo lá na barraca e nunca ninguém tocou em nada.

Hahaha.. nunca vi tanto homem pelado na minha vida, nosso acampamento era enfrente ao lago onde eles se banhavam depois de descarregar os peixes. Parecia que eles faziam academia o dia inteiro, qualquer um deles poderia ser modelo fora da África e ganhar muito mais do que 43 dólares  (salário mínimo que a maioria não ganha nem metade disso).

Não desmerecendo a campanha que fizeram recentemente no Brasil de "cultura de estupro" mas queridas isso não é nada. Lá realmente o machismo é a nível extremo.

Para começar era uma humilhação para eles que uma mulher fosse a chefe de obra, ainda mais porque nessa época eu era solteira (só é considerado adulto uma pessoa casada). Ou seja, uma criança mulher mandando neles. Realmente eu tive que ser bem dura, demitir 2 trabalhadores por me desrespeitarem e me recusar a dar um mandazi (tipo um sonho de padaria cheio de óleo) para o cara que não obedeceu uma ordem.

É da cultura que o homem não pode carregar nada (supostamente para ter mãos livres e proteger a mulher), então é comum você ver uma mulher com um filho amarrado nas costas, panela cheia de água na cabeça e saco de batatas na mão, enquanto o marido vai atrás sem carregar nada!

Quase tive um colapso quando chegaram os sacos de cimento de 50 kg e os homens que eu tinha contratado para construir a escola foram chamar suas esposas para carregar sozinhas os 50 kg na cabeça, e depois dois homens com muito esforço colocavam juntos o cimento no chão, foi assim também com os tijolos, até eu chamar os voluntários para carregar os tijolos também e começar a zuar com eles dizendo que os brancos eram mais fortes porque os negros precisavam chamar as mulheres, dai mexeu com a auto-estima e eles ficaram bravos, pegavam uma pilha de tijolos cada um e mostravam que eram muito mais fortes que os brancos.

O banheiro era um buraco no chão, e eu e as outras mulheres tínhamos que ser acompanhadas por um homem para ir ao banheiro, muitas vezes íamos em grupos grandes. Era uma das partes mais importantes do dia, o humor de cada um dependia desse momento! Caminhávamos 10 minutos sempre na manhã, pois a tarde tinham muitas moscas e a noite milhões de baratas.

Graças a Deus minha menstruação chegou quando eu ainda estava na África do Sul, e voltou quando eu já estava mais acostumada com o lugar, mas era tenso para as mulheres em todo o sentido. Sempre tínhamos que estar acompanhadas por homens, pois se você é estrupada (muito comum) você pode até ser presa.

Lá meninas de 5 anos, as vezes até menos são vendidas em troca de peixe. Em outra vila cercana o chefe da tribo tirava a virgindade das meninas quando elas menstruavam pela primeira vez, e esse cara tinha AIDS. Então é muita violência sexual que as mulheres sofrem, desde da infância até o fim da vida, realmente é muito triste.

Dias de Folga


Depois de 2 semanas totalmente exaustos, o José nos levou para um lugar para descansar.. pagamos 1 dólar para passar o dia!

Depois fomos no mercado de rua de Malawi.. lá te oferecem artesanatos manuais incrivelmente baratos, por exemplo uma girafa de ébano maciço e 1 metro de altura me ofereceram por 20 dólares, você pode pensar: "Nossa que barato" mas eu a comprei por 5 dólares, todos os preços realmente são mais ou menos 1/4 do que te oferecem.

Também fizemos um safári pelo lago Malawi, onde na hora mais quente do dia podemos ver todos os animais ir tomar água. Lá é famoso também um lugar de crocodilos, onde você pode comer, comprar coisas de couro e tirar fotos com os crocodilos bebes.. mas quem me conhece sabe que não é o tipo de atividade que eu curto.

De volta a África do Sul

Estivemos mais 2 dias em Joanesburgo para a volta, eu espero viajar de novo e talvez mudar de opinião, mas de todos os lugares que já viajei foi o que eu menos gostei, nunca vi o racismo como existe lá. É lamentável, deprimente, depois de toda a luta e fim apartheid as pessoas continuam divididas.
Lá eu fiz Safari no Lion Park e fui no museu do Nelson Mandela (ele morreu uns meses depois que eu voltei para o Brasil).


Alguns perrengues

Estar tanto tempo com um grupo grande de diferentes países em um acampamento pequeno pode gerar grandes discussões, mesmo com uma boa amizade. Não foi fácil estar mais de um mês com pessoas que você só via algumas horas no fim de semana.

Pode te parecer super insensível, mas é impossível ficar sozinha lá. Primeiro pela coisa da segurança, segundo porque do nada aparecerem 100 crianças e quando você vê estão todas atrás de você. Realmente aquele tempo na viagem, você com você mesmo não rola.

O lago de Malawi é cheio de crocodilos, eu não tirei foto porque estava com muito medo, mas de noite nem pensar em entrar no lago.

Dos voluntários eu era a pessoa que mais ficava exposta ao sol, apesar do cuidado com filtros solares, tive algumas queimaduras, cheguei a desmaiar uma vez. Eu tinha que entrar no lago a cada 1 hora mais ou menos. Voltei para casa com algumas feridas no rosto.

Se você vai para respeitar a cultura, você vai passar calor, ninguém lá anda de short isso é um grande desrespeito para eles. Eu usei muito uma saia longa, mas era realmente complicado, principalmente tomar banho no lago com roupa, biquíni nem pensar.

Os pescadores ficam gritando a noite inteira! Sei lá porque, mas eles trabalham de madrugada e ficam gritando bêbados.

Eu não sei bem se é pelo sol quente, mas eu tinha umas visões meio sobrenaturais lá, o que não acontece comigo em outros lugares. Algumas pessoas religiosas dizem que são "espias" que vem ver quem somos. Eu e outras pessoas do grupo tivemos visões desse tipo.



Resultado da Missão

Construímos 2 salas que vão atender 400 crianças, o projeto é construir mais 6 salas e uma clinica
médica. Fomos recebidos com honra pelo rei (existe presidente para assuntos exteriores, o rei é tipo o juiz do país). Entregamos material escolar, uniforme e mochila para todas as crianças, como também salário dos professores.
Sem dúvida uma das experiencias que mais marcou minha vida, me fez olhar diferente o que realmente é riqueza. Eles são milionários!

Obrigada pelos que me apoiaram e incentivaram a fazer parte, a obra ainda não acabou.

Se você quiser saber mais acesse o link: https://vimeo.com/117315318

www.fundacionlavina.cl


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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Machucou? Quando casar sara...

Esse é o velha e sem graça brincadeira que provavelmente sua vó te falou toda vez que você caiu e raspou o joelho no chão. E hoje estou casada, mas nem tudo sarou.

A Bíblia trata o casamento como "onde dois se tornam uma só carne" fora o lado físico sexual de tudo isso, também se trata de se unir com todo "corpo e alma" a uma pessoa diferente. Todo encaixe perfeito gera atrito e é ai nesse momento da junção que sai a casquinha da ferida e tudo volta doer. 

Muitas das feridas do passado hoje são cicatrizes que contam uma história que vivemos com Deus, mas alguns dos machucados que supostamente não existem mais, só estão cobertos por uma fina capa superficial (também conhecida como "deixa pra lá") que no menor dos atritos vai acabar expondo toda a dor que seu corpo já tinha esquecido.

Alguns dos relacionamentos que pude observar terminam exatamente por "mexer no que está quieto" que são simplesmente feridas não curadas e ignoradas com o passar do tempo. Mas ao torna-se um só corpo, a dor do seu mendinho também dói no se conjugue e  não existe casamento saudável com pessoas espiritualmente enfermas.

A melhor decisão da minha vida, depois de reconhecer a Jesus como salvador, foi com certeza dizer "sim" aquele garoto branquelo falando português enrolado.

Casamento é a melhor ideia de Deus e me sinto muito feliz em viver em plenitude o amor projetado pelo Criador. Falo isso porque se não fosse meu marido eu nunca iria descobrir que por muito tempo vivi doente sem saber, e por mais que é difícil e vergonhoso expor e deixar outra pessoa limpar e desinfeccionar aquela velha e feia ferida, é o que hoje me permite desfrutar o máximo de cada momento sem medo de novas lesões.

Umas semanas atrás vimos um grupo de garotos organizando uma despedida de solteiro, o noivo estava com a tradicional camiseta "game over" e todos os outros com uma camiseta "nós jogaremos por você amigo". Pensei junto com meu marido que distorcionada visão do casamento, ainda que é só uma brincadeira, no fundo muitos sentem que é o fim de muitas coisas boas da vida.

Ficamos pensando o que faz as pessoas pensarem assim, até mesmo na igreja quando vem a gente colados o tempo todo e ficam sabendo que passamos a maior parte do dia juntos e amamos isso, sempre perguntam: "Há quanto tempo vocês são casados?". Depois da nossa resposta vem a exclamação: "Aaah.. por isso vocês são assim".

Temos consciência que o relacionamento vai mudando com o passar dos anos, depois dos filhos, alterações hormonais e etc, mas nenhuma regra diz que tem que ser para pior. Deus é o que renova todas as coisas, incluso o primeiro amor.

Realmente o casamento não sara, mas expõe muitas feridas e é nossa decisão expor e permitir que Deus cure ou "deixar pra lá" até que se torne uma infecção.

Só ele cura os de coração quebrantado e cuida das suas feridas. Salmos 147:3






quarta-feira, 11 de maio de 2016

Em dependência

Faz mais de 3 meses que estou morando na Europa, nos dois primeiros meses na Holanda na casa dos meus sogros e nesse último mês na casa de um pastor na Bélgica.

Quando Deus falou para mim e para meu marido para morar aqui a primeira coisa que eu pensei foi: "como eu vou trabalhar?, como eu vou conversar com as pessoas (não falo holandês)?, como eu vou exercer meu ministério?

Ainda lá no Chile onde vivi por 5 anos e falo com fluência o idioma, Deus já tinha pedido uma coisa estranha: liderar junto com meu marido (nesse tempo noivo) um grupo de jovens estrangeiros em inglês (idioma que falo com a mesma fluência do Lula, kkkk). Mas não demorou muito para entender o que Deus estava fazendo, eu vi que a garota independente, empreendedora, falante e com muitos anos de convertida se calando para que dar espaço para o seu futuro marido.

Eu tinha tomado umas lições sobre depender de Deus, mas essa de depender de uma outra pessoa é novo para mim. Isso é contrário a todo o movimento feminista e da vida moderna que diz "nunca dependa do seu marido". Agora eu não só dependo dele financeiramente, como também para me comunicar quando o inglês não funciona bem, ou seja, não posso fazer muita coisa sem ele.

Até mesmo minha relação com Deus mudou nesses quase 4 meses casada, antes era Deus e eu, agora sinto a necessidade de orar junto com meu marido e sinto que minha oração é mais eficaz unida a dele. Mas no fundo não sou dependente dele, nem ele de mim, nós dois somos dependentes de Deus.

A queda do homem no paraíso deriva da busca por independência, pois o que a serpente ofereceu era ser como Deus e assim não precisar mais dEle. A ideia de independência está relacionada com o sonho da maioria das pessoas e é associada a liberdade, pois considerar-se auto-suficiente alimenta o ego, mas é uma falsa ideia.

Todos precisamos de outros, seja relações emocionais, comerciais, afetivas. 

"A felicidade só é real quando é compartilhada" Christopher McCandless

Enquanto sucesso no mundo é torna-se cada dia mais "independente" o trajeto de Deus é fazer de nós cada dia mais depender da sua Graça, como originalmente nos desenhou.


A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo.

2 Coríntios 12:9


Na dependência está a confiança, Paulo entendia bem que quanto mais necessitado fosse, mas dependente seria da Graça, quanto mais longe estivesse do lugar seguro, mas precisaria confiar que Deus é fiel. Talvez por isso ele não parava quieto, viajava e pregava o evangelho em diferentes e perigosos lugares.

Eu sou a videira e vocês os ramos; quem está em mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. João 15:5

Cada dia que eu olho para trás e lembro de como pensava que era independente quando tinha um bom emprego e vivia em um apartamento legal, me faz lembrar também de como eu era tonta. rs

Roupa cara, carro do ano, eventos, dinheiro... tudo era dependente do meu emprego e quando eu perdi já não tinha mais nada.

Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu. Apocalipse 3:17 

Se você não for dependente de Deus, será de alguma coisa ou de alguém. A diferença é que Ele nunca vai falhar, te deixar ou te mandar embora. Cristo nos chama a ser como crianças que dependem dos seus pais, Ele diz que quem não for assim não entrará no Reino de Deus, em outras palavras:

DEPENDÊNCIA OU MORTE




terça-feira, 8 de março de 2016

Quando Deus não faz...

Fui questionada pessoalmente por uma pessoa após minha última postagem, e a pergunta era: "E se tivesse chovido no seu casamento? Nem sempre Deus faz o que a gente quer."

Isso é verdade, nem sempre nossas orações são atendidas, graças a Deus eu não casei com cada homem que eu orei para que me pedisse em namoro.

Entendo que algumas situações são bem difíceis de entender, faz uma semana mais ou menos que recebemos a notícia que minha cunhada estava no hospital acompanhando um amigo dela que levou com urgência a esposa grávida de 11 semanas porque ela se sentia mal, imediatamente eu e meu marido fomos para o quarto, ajoelhamos e pedimos a Deus pela vida da mulher e do bebê. Quando terminamos de orar recebemos a notícia que ela tinha falecido e consequentemente o bebê também.

Por um tempo fiquei triste por esse jovem pai/marido que perdeu sua família do nada, em uma noite. A pergunta que estava no meu coração é "por que Deus? Para que? Eu passo todo o tempo tentando mostrar que o Senhor faz milagres e essa era uma excelente oportunidade de mostrar aos que não creem." 

A resposta já estava no meu coração: "Deus é bom todo tempo, em todo tempo Deus é bom", ainda que não parece Ele continua sendo bom.

Sim é verdade, nem sempre Deus faz o que a gente quer, mas minha confiança sobre isso está na Palavra:

Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito. João 15:7

Geralmente as pessoas quando reclamam com Deus lembram da última parte do versículo, mas existe uma exigência, estar nEle e a Palavra dEle em mim. Isso faz com que minha vontade esteja alinhada com a dEle e nossos desejos e sonhos sejam mútuos.

Davi é um bom exemplo de uma pessoa que orou com toda sua fé para que o bebê não morresse, mas a criança morreu e Ele foi louvar e glorificar ao Senhor, não porque estava feliz com a morte e sim porque entendeu que essa era a vontade de Deus e isso era o melhor que poderia acontecer.

Então respondendo a pergunta: "como você tinha tanta certeza que não iria chover no seu casamento", porque eu deixei Deus escolher o marido, o local, a data e horário, eu realmente coloquei tudo nas mãos dEle e falei "faz como você quiser", eu senti Deus todo o tempo como o "Pai da Noiva" e Ele não iria esquecer desse detalhe que impediria a cerimônia. Talvez se eu não tivesse certeza que Ele estava no controle, até poderia adiar o casamento ao ver a previsão do tempo, mas sei que ele é melhor "wedding planner" que eu.

Agora nosso desafio é alugar um apto, mobilar e começar o processo do visto. E novamente a pergunta: "você não está preocupada?" Minha sincera resposta é: "Não! Deus sabe que somos felizes na América Latina e foi ideia dEle trazer a gente para Europa, e quando a ideia dEle, Ele cuida de tudo."

Adorar a Deus é a chave que abre todas as portas, glorificar seu nome quando tudo vai bem e quando tudo vai mal também. Como em um casamento o voto do Senhor para nós é que Ele é Emanuel, Deus presente na alegria, tristeza, tribulação, gozo... E idealmente a resposta para esse voto é:

Porque ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; ainda que decepcione o produto da oliveira, e os campos não produzam mantimento; ainda que as ovelhas da malhada sejam arrebatadas, e nos currais não haja gado; Todavia eu me alegrarei no Senhor; exultarei no Deus da minha salvação. Habacuque 3:17,18


No nosso caso:

Ainda que a gente fique sem dinheiro, sem poder frequentar os lugares que a gente gosta, em uma casa simples sem nenhum luxo, ainda que a gente fique doente e longe das pessoas que amamos, ainda assim confiaremos e adoraremos ao Senhor.



segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

O Pai da Noiva

Faz um ano eu comecei a namorar com o cara que sabia que seria meu marido, não só porque ele é inteligente, bonito, legal e cristão, mas porque eu sentia a presença de Deus potencializada na nossa relação. Não foi necessário orar, pedir confirmação e nem nada... a maior prova que era a vontade de Deus era sentir o Espírito Santo entre nós quando estamos juntos.

Como já contei  na postagem Portas Automáticas, quando a gente foi até o pastor anunciar sobre a intenção de casar, ele nos perguntou quanto dinheiro a gente tinha separado para isso e a resposta foi: NADA, eramos dois estrangeiros no Chile e ele ganhava o suficiente para pagar o apartamento dividido com outro missionário, comer e me levar para sair uma vez por semana, e eu estava na mesma situação.

Mas Deus é maravilhoso e do NADA Ele cria todas as coisas, nos casamos e sentimos que Deus cuidou de cada detalhe, nos dava sempre o dobro que necessitávamos, cada flor, cada detalhe Ele pensou em tudo e fez melhor do que poderíamos sonhar.

Estava chovendo toda a semana, a previsão era de uma tempestade no dia do nosso casamento, mas Ele nos deu um dia lindo, eu lembro que quando dormi na noite anterior da cerimônia de casamento escutando o som da chuva, senti que Deus me cantou a música da Ivete Sangalo (sim dela mesmo):

"Quando a chuva passar e quando o tempo abrir, abra a janela e veja EU SOU o sol, sou céu e mar, sou céu e fim, e meu amor é imensidão"

OK, eu também fiquei muito surpresa de escutar o Espírito Santo me cantar uma música "mundana" mas foi isso que Ele me disse e foi isso que aconteceu, na manhã eu escutei os passarinhos cantando e quando eu abri a janela vi o lindo dia que Deus tinha preparado para nós, contrariando a todas as previsões climáticas.

Hoje estamos a mais de um mês casados, por enquanto na Holanda esperando o casamento civil na próxima semana, acabamos de chegar da lua de mel dos nossos sonhos na Indonésia, onde vimos que Deus é nosso Pai coruja e nos mimou com cada detalhe das duas semanas que passamos nas ilhas de Bali, Lombok e Gigi. Agora vamos alugar um apto na Bélgica e sabemos que aquele que começou a obra vai aperfeiçoar, por isso não estamos preocupados por NADA, seguimos orando e acreditando que Ele é fiel e sempre será.

Não se preocupem com NADA, mas apresentem a Deus vossos pedidos pela oração e pela súplica com ações de graças. Filipenses 4:6